Sexta, 15 de Dezembro de 2017
Por Marcelo Duarte  |  Categoria: Política  |  Fonte: Marreta Urgente
Quinta, 20 de Julho de 2017 - 13:29
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Reclamando de barriga cheia

Enquanto em MT recebem RGA e ainda participam de pressão da CUT contra o governo Taques, no RJ servidores passam fome

O MT é o único estado que paga RGA, Governo do Rio de Janeiro deve 3 meses de salários e o 13º de 2016.

O ditado: “Reclamando de barriga cheia” é desconhecido pelos servidores do governo do estado do Rio de Janeiro. Lá, com a barriga vazia, os servidores, aposentados e pensionistas do estado, tem perdido as forças para reclamarem pelos seus proventos.

Comer carne virou luxo. Pagar todas as contas em dia também. Essa é a realidade do técnico em radiologia Carlos Alberto Guedes, 62, servidor estadual do Rio, que ganhava cerca de R$ 1.900 mensais e enfrenta dificuldades devido ao atraso nos salários.

“Estou comendo só ovo há uma semana”, disse ele à reportagem, enquanto aguardava na fila para conseguir uma cesta básica doada pelo Muspe (Movimento Unificado dos Servidores Públicos Estaduais) do Rio, na manhã desta terça-feira (18).

A distribuição foi realizada no Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação do RJ, no centro da cidade. A fila começou a se formar por volta das 5h. As senhas começaram a ser distribuídas às 9h. Em crise fiscal, o governo fluminense vem atrasando o pagamento da maior parte dos servidores do Estado.

Cerca de 200 mil funcionários estão passando dificuldades por causa do atraso nos salários de maio, junho e parte do 13º salário de 2016, a primeira parcela do 13º de 2017 também não foi paga ainda. Margaret Silva, 52, assessora de administração e finanças que deveria receber R$ 1.870 por mês, teve que pedir ajuda aos pais e amigos para comprar itens básicos de alimentação.

Ela, que mora com o marido e o filho, ambos desempregados, estava sem arroz e feijão na despensa.

“Nunca imaginei passar por isso. Sempre tive o maior orgulho de ser estatutária. Estou muito triste, mas tenho certeza que vamos dar a volta por cima”, afirma a servidora.

“Tentei pegar a cesta na distribuição que aconteceu sábado [15], mas não consegui. Tinha muita gente. Teve até um senhor que passou mal. Fiquei umas cinco horas na fila, com fome. Foi por bem pouco que não chegou a minha vez de pegar a senha”, relembra.

Na terça, Margaret conseguiu levar os mantimentos para casa. Quem também deu sorte desta vez foi Silas Rodrigues, 61. Ele saiu de casa, na comunidade do Jacarezinho, às 4h para conseguir pegar um bom lugar na fila.

“A gente trabalha pra caramba e está crente que vai se aposentar e poder ficar calmo, tranquilo, passear, pagar as contas. Está tudo ao contrário! Cartão de crédito, telefone, estou empurrando as contas com a barriga”, afirma indignado.

A auxiliar de enfermagem Natalina Freitas, 50, faz um rodízio para o pagamento das contas: atrasa uma, acerta a outra. E assim vai.

“A situação é lamentável. Estou com o nome no SPC por causa dos atrasos, infelizmente”, fala. Para dar uma aliviada no bolso, ela optou por vender bolo de pote e trabalhou também como babá, mas parou por conta de uma artrose. A servidora deveria receber um salário de R$ 1.050 mensais.

Com um filho adulto que tem problemas de saúde, a professora Regina Cosme, 63, diz que não consegue mais proporcionar a alimentação balanceada que ele precisa. Sem receber seu salário de R$ 2.000, ela também está com as parcelas do condomínio atrasadas.

“Tenho medo de acabar perdendo o apartamento próprio que consegui comprar”, diz.

Segundo Mariá Casanova, 66, auxiliar de enfermagem aposentada e auxiliar do Muspe, cerca de 350 cestas devem ser doadas nesta quarta. No sábado, foram 500, no entanto, muita gente saiu de mãos abanando das filas.

A idosa, que recebia R$ 1.000 por mês, então, faz um apelo: “Peço, à sociedade e aos empresários, que matem a fome dos servidores que se esforçaram por este Estado.” Assim como os colegas, Mariá também se revolta com a situação:

“Pensei que eu fosse me aposentar e ter dignidade, pegar no braço do meu velho e passear. Mas não tive esse direito. Meu telefone e minha luz estão cortados. Tenho três pontes de safena e tomo 11 remédios. Vendo amendoim para pagá-los. O Estado não me dá nada. Vivo porque tenho fé em Deus e porque meus amigos me ajudam muito!”

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